Artigos 2008

Prêmio merecido e necessário

Artigo publicado no Diário de S. Paulo em 13/04/2008

No final de março, um relatório divulgado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), à qual recentemente foi atribuída a responsabilidade pela formação de professores para o ensino básico, revela uma realidade altamente preocupante. O estudo detecta que 23% dos que lecionam Matemática e 19,5% dos professores de Português para o ensino médio não concluíram a faculdade, como manda a lei. Ou seja, a base em que nossos jovens vão alicerçar seus conhecimentos gerais ¬– e em alguns anos, os saberes profissionais – está seriamente comprometida. Nesse lamentável cenário, qualquer oportunidade que os adolescentes tenham para complementar seu aprendizado escolar é mais do que bem-vinda. Aqui entra em cena o estágio, uma atividade aberta a todos os estudantes acima de 16 anos, incluídos os de ensino médio e que traz inúmeras vantagens à preparação do profissional do futuro. Além de propiciar vivências práticas no mundo do trabalho, o estágio leva o aluno a interagir com pessoas ou atividades que os desafiam a alargar seu repertório cultural, abrem-lhes novos horizontes e comprovam a importância do conhecimento na construção de carreiras promissoras. Fora da classe, as regras são outras e, a bem da verdade, mais rígidas e até mesmo mais úteis para a formação de cidadãos, em muitos casos. O relacionamento do estagiário com seu supervisor pode ser mais profundo e estreito do que o de um aluno com seu professor. Não deveria ser. Aliás, o ideal seria a equivalência. Porém, quando a aula se torna uma mera fonte de salário, com a autoridade do professor corroída pela falta de capacitação e de motivação, pouco resta ao jovem além da orientação segura de um profissional experiente a lhe mostrar o caminho das pedras. Na atual conjuntura, abrir as portas para auxiliar na formação dos jovens estudantes é mais do que ação meritória. É um ato de responsabilidade cidadã, que justifica reconhecimento público. Essa foi a razão que leva o CIEE, em parceria com o Ibope Inteligência e a seccional paulista da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-SP), a lançar pelo terceiro ano consecutivo o Prêmio As Melhores Empresas Para Estagiar. Criado a partir de uma pesquisa de opinião feita com os próprios estagiários, o ranking lista os 50 melhores programas de treinamento no Estado de São Paulo. No próximo dia 17, a abertura das inscrições para a edição 2008 do prêmio reunirá, no foyer do Espaço Sociocultural CIEE, gestores de recursos humanos interessados em participar da pesquisa que identificará as melhores organizações para estagiar – empresas, órgãos públicos, entidades sem fins lucrativos, parceiras ou não do CIEE. O resultado final será divulgado em novembro e o período de sete meses será ocupado pelo preenchimento sigiloso dos formulários pelos estagiários, apuração e tabulação das respostas. (*) Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola – CIEE, da Academia Paulista de História – APH e diretor da Fiesp.

Reprodução autorizada, desde que citada a fonte.

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