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Gestão mais consciente


Artigo publicado na Gazeta Mercantil em 27/05/08
Luiz Gonzaga Bertelli*


Nos últimos anos, começou a diminuir a distância entre as empresas privadas e as organizações sociais. Cada vez mais, as empresas estão buscando complementar suas atividades com uma causa social ou ambiental, tanto para desenvolver novos produtos, como para melhorar a reputação perante os clientes. Já as ONGs incorporam os modelos de gestão empresarial para ampliar seu público alvo, atendendo assim mais e mais pessoas. Essa nova atitude está criando um novo modelo de empresas, identificadas como pertencentes ao setor 2.5, que estão na fronteira das organizações de segundo e terceiro setor. O conceito, adotado por alunos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, atualiza um modelo que ganhou destaque a partir de 2005, com a premiação do empresário e banqueiro Muhammad Yunus, ganhador do Nobel da Paz. Escritor do livro O Banqueiro dos Pobres, ele pretende acabar com a pobreza, em Bangladesh, com microcrédito pré-aprovado para milhões de famílias.

As empresas que aderirem ao novo modelo, privilegiando a responsabilidade social, só tendem a ganhar, já que está se tornando um fator de competitividade para os negócios e de conquista de novos mercados. Fabricar produtos que não degradem o ambiente, promover a inclusão social e participar do desenvolvimento da comunidade em que está inserido são conquistas cada vez mais valorizadas pela sociedade. O retorno, em termos de imagem, é muito positivo, além da contribuição que estará fazendo para o desenvolvimento do próprio país.

Quem aposta na responsabilidade social tem uma gestão mais consciente de suas missões. Ganha assim, um comprometimento maior dos funcionários, o que influencia automaticamente em um melhor ambiente de trabalho. O resultado da equação é a conquista de mais clientes e um respeito maior na sociedade.

Uma das vertentes humanísticas deste novo conceito é a concessão, por parte das empresas privadas, de vagas para o estágio de jovens. Em um país como o Brasil, no qual o desemprego na faixa dos 18 a 24 anos continua bem acima da média, a abertura de vagas para esse público é fundamental para garantir a empregabilidade futura dos jovens, além do aprimoramento da sua formação, a partir do treinamento prático.

O papel do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), dentro deste contexto, é exatamente o de mostrar a importância do estágio como um fator de integração e cidadania do jovem na sociedade, afastando-o do submundo da ociosidade e das ruas. O estudante que faz estágio vai para o mercado de trabalho mais confiante e com experiência para desenvolver suas habilidades.

Em virtude disso, o CIEE criou, há dois anos, o Prêmio As Melhores Empresas para Estagiar, com o objetivo de reconhecer publicamente as organizações e empresas que investem na formação e treinamento dos futuros profissionais, colaborando para sua efetiva inserção no mercado de trabalho.

Com o apoio da seccional paulista da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-SP) e a expertise do Ibope Inteligência, o prêmio estabelece um ranking com as 50 melhores empresas para estagiar, divulgadas amplamente na mídia. As 10 primeiras são nomeadas por colocação. Da 11.ª a 50.º colocadas, são anunciadas por ordem alfabética.

As organizações interessadas em participar poderão efetuar sua inscrição gratuitamente até o dia 11 de julho, pela internet, no site www.ciee.org.br, no link “As melhores empresas para estagiar”. Para concorrer, as empresas precisam estar no estado de São Paulo e possuir mais de 15 estagiários.

Com mais de quatro décadas de atuação e mais de 7 milhões de estágios consolidados, o CIEE está convencido de que o perfil profissional adequado aos novos tempos surgirá da integração entre a sala de aula e o ambiente de trabalho. E que as empresas que investirem na responsabilidade social estarão saindo na frente, não só da concorrência, mas para propiciar um futuro melhor para a sociedade.

(*) Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e diretor da FIESP.


Reprodução autorizada, desde que citada a fonte.

 



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