Institucional - Centro de Integração Empresa-Escola - CIEE

Formação profissional floresce em solo nordestino

Empresas e instituições oferecem boas condições para o desenvolvimento dos jovens moradores do Interior do Ceará e da Paraíba

Não é apenas nos grandes centros urbanos que o estudante encontra ricas oportunidades de formação profissional. Há possibilidades de desenvolvimento em municípios menores e desconhecidos de muitos brasileiros, como cidades do interior do Ceará ou da Paraíba, na região Nordeste do País.
Quantas pessoas sabem que diversos modelos de sandálias da marca Grendene são produzidos em Crato? A cidade está situada a 516 quilômetros ao sul da capital Fortaleza, no Ceará, e abriga uma das fábricas do grupo. A indústria emprega em Crato cerca de 2,9 mil pessoas e oferece oportunidade de estágio a 22 estudantes procedentes de cursos de nível superior como Engenharia de Produção, Pedagogia, Eletromecânica, Automação, Administração de Empresas, além do Ensino Médio.
O coordenador de Recursos Humanos da filial da Grendene Calçados, Itacir Antonio Magagnin, procura os candidatos nas universidades, escolas técnicas e de ensino médio da região. O objetivo do programa é encontrar jovens com potencial, desenvolver seus talentos e contratá-los como profissionais após a conclusão do curso. “Inúmeros funcionários nossos são provenientes do estágio”, afirma Magagnin. Para conquistar a efetivação na indústria de calçados, o estudante deve demonstrar dedicação, disciplina, aprendizado, resultados positivos e criatividade. O seu desempenho é avaliado diariamente pelo supervisor.
O programa de estágio da Grendene Calçados teve início em 1998 e foi a forma encontrada para preparar profissionais qualificados para atender as necessidades da empresa. Segundo Magagnin, existe mão-de-obra abundante na região, mas há carência de especialistas em áreas como eletrônica, automação industrial, mecânica industrial e matrizaria. “Com a criação de novos cursos técnicos e universitários direcionados para a indústria e o surgimento de universidades nos últimos três anos, acredito que esta dificuldade será superada com o tempo”, afirma o coordenador de RH. A Universidade Regional de Cariri, por exemplo, instalou recentemente sua Reitoria em Crato, cidade onde funciona seu campus mais movimentado.
O estudante do quarto ano de Engenharia de Produção João Paulo Rodrigues de Melo complementa sua formação acadêmica com o aprendizado diário na indústria de calçados. Seu estágio é realizado no setor de Segurança Industrial, onde contribui com a inspeção cotidiana de máquinas e equipamentos, no controle de estoque, auxilia na elaboração de laudos, ministra treinamentos e palestras e participa de algumas funções burocráticas inerentes à atividade. “A experiência, além de permitir colocar em prática os conhecimentos adquiridos na faculdade, dá oportunidade de conviver com profissionais qualificados de todas as áreas, o que tem me ensinado muito”, afirma João Paulo. Após a conclusão do curso, ele pretende continuar estudando e vai buscar uma especialização em Engenharia e Segurança do Trabalho ou o mestrado em Ergonomia. “Quem sabe conseguirei meu espaço definitivo na empresa!”, diz.

A força do turismo religioso

Crato fica nas proximidades do município de Juazeiro do Norte, conhecido nacionalmente pela romaria de devotos do Padre Cícero. Todos os anos, mais de 1 milhão de pessoas vão cumprir promessa, agradecer ou prestar homenagem ao fundador da cidade, considerado Santo para os nordestinos. Os peregrinos representam um estímulo forte à economia local, tanto para o comércio e serviços, quanto para a indústria. “Temos um grande volume de visitantes que aquece as vendas e movimenta a rede hoteleira e de restaurantes”, afirma Francisca Gorete Cruz, gerente executiva da Câmara de Dirigentes Lojistas de Juazeiro do Norte (CDL).
Com cerca de 200 mil habitantes e localizada no sul do Ceará, a cidade conta com outros fatores favoráveis ao seu desenvolvimento, como a proximidade a centros urbanos do próprio Estado e de Pernambuco, Paraíba e Piauí, o que a torna um centro de compras. Pólo industrial do setor calçadista e de folheados de ouro, não faltam também instituições de ensino e boas chances de carreira e de desenvolvimento profissional. A própria Câmara de Dirigentes Lojistas mantém em seu quadro de colaboradores 12 profissionais e duas estagiárias. A instituição promove cursos, palestras, treinamentos, campanhas promocionais de vendas, além de realizar atividades como banco de dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), Serasa, elaboração de estatísticas.
Na hora de recrutar os estudantes, a CDL recorre ao CIEE. As perspectivas dos estagiários são promissoras: “até a presente data, todos foram efetivados após a conclusão do curso, com exceção de apenas um”, segundo Francisca Cruz. As duas universitárias contratadas atualmente cursam Geografia e participam de atividades como pesquisa de satisfação do consumidor, elaboração de gráfico das pesquisas e das consultas feitas pelos lojistas, fornecimento de informações para banco de dados sobre comércio, além de atendimento às consultas.

Mercado atacadista em Campina Grande

No Interior da Paraíba, na cidade de Campina Grande, a estudante do terceiro ano de Administração da Universidade Estadual da Paraíba Anthares Araújo Arruda encontrou uma oportunidade de estágio no Grupo Rio do Peixe. Trata-se de uma empresa de comércio atacadista especializada em distribuir alimentos industrializados. “Uma amiga me informou que eles estavam requisitando entrevista de alunos cadastrados no CIEE”, afirma Anthares, que não perdeu a chance e foi selecionada para a vaga no departamento de Recursos Humanos. Esta é a sua primeira experiência como estagiária e, para ela, a conquista foi por ter um pouco de prática na área administrativa e ter demonstrado forte interesse em adquirir conhecimentos em ciências humanas.
O diretor-presidente do Grupo Rio do Peixe, José Gonzaga Sobrinho, afirma que na hora de selecionar os candidatos, ter algum tipo de experiência conta pontos a favor. Além disso, são observados quesitos como desenvoltura de comunicação, boa apresentação pessoal, conhecimento básico de softwares e equipamentos periféricos, sistemas que darão suporte ao estágio.
O Grupo Rio do Peixe conta com 718 colaboradores diretos e 226 indiretos (representantes comerciais). Seu programa de estágio teve início em maio de 2000 e conta atualmente com 19 estudantes, dos quais nove são do ensino médio e os demais de nível superior (Administração de Empresas, Ciências Contábeis, Marketing, Química Industrial). Cada um deles tem a supervisão direta de um funcionário já com experiência na atividade, com tempo médio de casa de três anos. “Esta condição permite ao supervisor contribuir efetivamente no aprendizado e responder as perguntas com segurança”, afirma o diretor-presidente.
A experiência de estágio no Grupo Rio do Peixe certamente valoriza o currículo de um profissional. A empresa ocupa atualmente a 12.ª posição no ranking nacional da Associação Brasileira dos Atacadistas Distribuidoras e a 22.ª posição entre os maiores contribuintes de ICMS da Paraíba. “Isto contribui para uma futura apresentação do estagiário no mercado de trabalho, quando não houver a possibilidade de sua permanência como nosso colaborador efetivo”, diz Gonzaga Sobrinho.

 

FONTE: AGITAÇÃO ED. 50